A lei que regulamentaria a psicologia como profissão foi sancionada em janeiro de 1962 e no dia 27 de agosto de 1964, depois de uma demorada “gestação”, foi decretada a lei n 4.119, a qual regulamentava a psicologia como profissão de direito; embora a psicologia dita científica remeta-se ao ano de 1879 (ao menos para grande parte dos acadêmicos) com a criação do primeiro laboratório de psicologia em Leipzig, por Wilhelm Wundt. 

 

Nesta data comemoramos a contribuição, ao longo destes anos, científico/social da psicologia em nossa sociedade. Com muito trabalho e estudo, durante todos esses anos, nossa área vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento. A psicologia é chamada de “ciência da alma”, psyche (mente ou alma) e logos (conhecimento); essa ciência que estuda e analisa o comportamento humano e seus processos mentais, nos revela a importância de se investir e alcançar relações mais saudáveis, tanto as interpessoais como a do homem consigo mesmo. Hoje  estamos inseridos em diversas áreas, sempre contribuindo para uma sociedade mais democrática, laica e saudável mental e emocionalmente.

 

No contexto clínico, o profissional oferece um espaço de acolhimento e escuta para dor do outro, processo este que demanda uma disponibilidade e abertura do analista, haja vista que muitas vezes o antídoto para dor seja a própria dor. Estamos inseridos em uma cultura que nos ensina desde muito novos que não há espaço para dor e sofrimento, engolimos muitos choros e nos tornamos resistentes a demonstrar ou compartilhar qualquer tipo de fraqueza ou fragilidade. Neste caminho, atropelamos e negligenciamos muitas dores e memórias que exigiam mais atenção e elaboração; ainda que não recebam a devida atenção, tais memórias atuam e têm influência, com suas correspondentes cargas, em nossas escolhas atuais, ainda que não sejamos, por muitas vezes, conscientes de tal processo. O profissional pode auxiliar assim o paciente a acessar as reais motivações para comportamentos antiquados e remitentes, sinalizando maneiras de transitar entre outros lugares psíquicos e alcançar escolhas mais conscientes; este trabalho psíquico permite que o paciente, ao acessar e ressignificar conteúdos inconscientes, se torne mais responsável assim por sua própria vida, sendo sujeito dela e não mais, por exemplo, identificado no lugar de vítima.

 

Ainda há muito a se conquistar na nossa área, mas no dia de hoje podemos comemorar os espaços ocupados e homenagear assim a todos que entenderam o quão importante é o caminho feito para dentro. 

 

 

“Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.”

 

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.”

 

 

(Carl GustavJung)

 
  

 

  

 

Gabriela de Faria Rondão
Psicóloga
CRP 06/106895

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